Matei uma onça
Numa floresta escura
Para matar minha fome
Vergonha
O que eu tinha joguei num saco plástico preto
Pois quando eu tinha fome, não me trouxeram um prato de comida
Trouxeram drogas
Quando eu estava só, não me fizeram companhia
Me abandonaram
Quando eu estava triste, não me fizeram alegre
Trouxeram dúvidas
Quando eu sonhei, não me invadiram os sonhos
Me acordaram
Vergonha
A onça tinha dono e o dono não gostou
Não sabia da fome, da solidão, da tristeza
Fiquei embalado em minha rede
Com olhos fechados esperando o tempo passar
Alguém olhou por mim
Então primeiro matou minha sede
Me deu três onças para eu ter forças
E não precisei mais matar nada nem ninguém
Me alimento da vitória
Me acompanha a esperança
Me alegro de minha própria vida
Sonho os meus planos
Boa onça que me deu liberdade
Águas Belas - Pernambuco
nove de novembro de dois mil e sete
doze e quarenta e quatro
estou aqui
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
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